Terça-feira, 28 de Agosto de 2007

Mudar de vida é foda

No outro dia resolvi mudar de vida. É verdade. Já estou farto desta vida que levo, não saio da cepa torta, não tenho dinheiro nem gajas.
Então comecei a pensar o que poderia eu fazer para ter dinheiro, mulheres e sair da cepa torta. E não é que encontrei várias soluções?
A primeira era ser árbitro de futebol. Ah pois é, se não vejam. Um árbitro de futebol tem que ser estúpido (o que graças a Deus a minha mãezinha diz que sou) para andar a correr atrás de uma bola, nunca tocar nela, e mesmo que ela venha na sua direcção ele desvia-se. Depois deve ganhar bem, porque eles agora têm todos bons carros, andam todos penteadinhos e ainda mandam que se farta. Devem ter uma posição alta lá no campo, já que o que eles dizem é lei, mesmo que estejam errados (parece o meu paizinho que sempre que eu dizia que ele estava errado ele fazia-me mudar de ideia à força de bofetada). Para tudo ser perfeito só era preciso as mulheres. Claro está que qualquer pessoa sabe, que arbitro que se digne, tem que aceitar as brasileiras gentilmente cedidas pelos presidentes dos clubes que eles vão apitar. Isto era ouro sobre azul, não fosse eu não gostar de correr, muito menos atrás de uma bola, e de eu preferir estar no meio de mulheres do que no meio de 22 homens que quando acham que tem razão vão até ao arbitro e dão-lhe barrigadas. Aquilo a mim parece-me um pouco paneleiro, mas...
Depois pensei em ser dirigente de futebol. Também mandam que se farta, tem bons carros, viajam para todo o lado com a equipa. Aqui tínhamos o problema das mulheres. Claro que podia ir ao calor da noite procurar uma, mas depois ela ia escrever um livro a dizer que eu cheirava mal dos pés, que me cortava os pelos das orelhas, ou que eu mandava umas bujardas mal cheirosas, e eu acho que isso ninguém tem que saber, mesmo sabendo que toda a gente o faz. E depois havia outro problema ainda mais grave. Já repararam que todos os dirigentes parecem tristonhos e nenhum deles prima pela beleza? Claro que a minha mãezinha ia dizer que era o ideal para mim, já que ela diz que quando Deus distribuiu a beleza ela me estava a trocar a fralda porque eu tinha acabado de me borrar todo.
Foi então que pensei que podia ser ladrão. Fazer uns assaltos, uns golpes contabilísticos, umas cenas maradas. Mas depois reparei que isso em Portugal não rende. Se fosse nos States, em que uma pessoa vê nos filmes que eles andam em bons carros, que tem boas gajas, e que qualquer um lá pode chegar, eu ainda me aventurava. Mas em Portugal não dá mesmo. Se vocês repararem por cá eles tem bons carros sim senhor, tem bons lucros sim senhor, mas as gajas valha-me Deus. Prontos, lá o Carrilho se safou com a Barbara mas isso é uma excepção. Vocês já viram algum dos nossos governantes a ter uma mulher boa? Uma gaja que um gajo disse-se que a comia toda? Pois eu não. Eu comer ruim por comer, prefiro bater a punheta, já que a única diferença entre masturbação e sexo, é o convívio, mais nada.
Bem depois de me ter passado esta maluqueira de querer ser ladrão e como tal ir para o governo ou para a assembleia, resolvi ser engenheiro. Um engenheiro ganha bem, tem bons carros e até há alguns que tem boas gajas. Mas depois percebi que tinha que passar mais uns anos a estudar (eu sou o que tem mais escolaridade dos meus colegas, tenho a quarta classe tirada a noite depois de 20 tentativas... desculpem, minto, 21 tentativas, assim é que está certo). Então ouvi dizer que podia tirar um curso de engenheiro mesmo sem estudar, só precisava de ter dinheiro. Eu fiquei estupfa.... estupfac..... parvo prontos. Não é que se eu tivesse dinheiro e me inscreve-se na Independente, podia ser engenheiro sem nunca mostrar os papéis, sem nunca fazer exames e sem nunca ir as aulas? Era o que eu estava a precisar. Mas quando me disseram que corria o risco de chegar a primeiro-ministro desisti. Então não é que depois ia ter que ter uma gaja feia sempre a dormir comigo!! Não valia o esforço.
Esqueci a engenharia. Foi então que decidi ser amestrador de camelos. É verdade, está correcto, amestrador de camelos. Eu tinha lido num jornal que do Tejo para baixo era um deserto. Eu como nunca passei para aquelas bandas, achei que eles sabiam o que diziam. Então inscrevi-me num curso por correspondência de amestradores de camelos. Mas o curso tinha que ter animais para praticar-mos. Fui para sul, para o sul do Tejo, e chego lá e afinal aquilo não era nada um deserto. Claro que procurei uns camelos, mas fiquei a saber que eles andavam para os lados da Assembleia da República. Fui até lá e pelo caminho disseram-me que devia falar com um camelo chamado Mário Lino, era o único que me podia ajudar. Mas foi a desgraça, o camelo enervou-se e mandou-me embora, não me ajudou.
Voltei para casa e sem saber o que fazer para mudar a minha vida lá continuo aqui sentado, a olhar para o dia de ontem, a receber do fundo de desemprego ou do rendimento mínimo, que sempre me dá para pagar os cigarros, mas caramba não dá quase para comer nem para comprar medicamentos que também preciso para o catarro.
Este país.... que melhor sitio eu quereria para viver que um país que me pagam para não fazer nada?? Só a mim e aos funcionários públicos.
 
Beijinhos e abraços e muitos palhaços
sinto-me: Com falta de mimo

publicado por sensei às 14:41
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